● Imagens do Ler.


                                                       (Roma, Itália. 1959. Foto Cinecitt'a Luce).













A Arte... As esculturas urbanas.
                                              A Arte de John Henry Waddell* (1921).

("Paradise Valley”, Arizona. EUA).



 *: Artista de Des Moines, Iowa. EUA.














Sou um evadido.

                                                                                                     (Magritte)


“Sou um evadido
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu não é ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.”



                                      (Fernando Pessoa, 1919)
















                                                      É...
















                                                   Machado de Assis.



Compartilha-se com vocês o texto do jornalista Alberto López 
publicado no jornal “El Pais” (http://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/21/).
Esta é a forma encontrada para homenagear um dos gênios da nação brasileira.  

                                                          
                                                        “ Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, numa família humilde. Era filho de dois ex-escravos mulatos alforriados: o pintor de paredes Francisco José de Assis e a lavadeira Maria Leopoldina Machado de Assis. Essa situação marcou toda a sua vida, já que a escravidão só seria abolida no Brasil 49 anos depois do seu nascimento. Ficou órfão quando era muito pequeno e foi criado por sua madrasta, a também mulata Maria Inês, que lhe apresentou e ensinou as primeiras letras.
Machado de Assis enfrentou muitos desafios por ser um mestiço no século XIX, incluindo o acesso limitado à educação formal. Passou pela escola pública, mas sua formação na verdade foi autodidata, já que nunca foi à universidade. Por outro lado, uma grande ambição intelectual o acompanhou por toda a vida. Em um de seus primeiros trabalhos, na padaria de Madame Guillot, aprendeu a ler e a traduzir francês, e quando já estava perto de completar 70 anos quis começar a estudar grego.
Com apenas 16 anos, Machado de Assis entra em contato com o grupo de escritores que se reunia numa livraria central do Rio e publica seu primeiro poema, Um Anjo. A partir desse momento, sua atividade intelectual será contínua até sua morte, em 1908.
Também trabalha como aprendiz de tipógrafo na ‘Imprensa Nacional’. Aos 19 anos, se torna revisor de provas na editora de Paula Brito, e um ano depois no ‘Correio Mercantil’. Seu novo ofício o introduz plenamente no ambiente jornalístico e literário.
Colabora nas publicações ‘Marmota’, ‘Paraíba’, ‘Espelho’ – efêmera revista que funda com Eleutério de Sousa em 1858 – e no próprio Correio Mercantil. Sua primeira colaboração em prosa é uma tradução de Lamartine. E seu primeiro estudo crítico importante, ‘O Passado, o Presente e o Futuro da Literatura’, reflete sobre a formação de uma literatura nacional.
Em 1860, aos 21 anos, Machado de Assis começa a colaborar com o ‘Jornal do Rio’, onde será o encarregado de escrever sobre os debates no Senado. Obrigado a refletir sobre a política e a vida social, a experiência representará um grande aprendizado para ele, que a essa altura dá sinais de ser um excelente jornalista que começa a forjar esse modo inconfundível de narrar, ao mesmo tempo tão simples e profundo, marcado por uma inteligente ironia.
Sua extensa obra literária é composta por nove romances e peças teatrais, 200 contos, cinco coleções de poemas e sonetos e mais de 600 crônicas. Embora não alcance grande reconhecimento como dramaturgo, o obtém como poeta, com a coletânea Crisálidas (1864), seu primeiro livro, ainda associado ao romantismo.
Dois acontecimentos cruciais na biografia de Machado de Assis marcarão sua vida: seu ingresso na Administração do Estado – primeiro em 1867, como funcionário do Diário Oficial, e depois, em 1873, na Secretaria de Agricultura. E seu casamento com Carolina Xavier de Novais, em 1869.
Ascendeu na carreira de funcionário público até se aposentar como diretor do Departamento de Comércio, podendo a partir de então se dedicar integralmente à literatura, para o que contribuiu também a sua esposa, ao lhe proporcionar estabilidade emocional e estimulá-lo a conhecer os autores ingleses que tanto o influenciaram em suas obras seguintes.
Em 1870, é lançado o segundo volume de poemas Machado, ‘Falenas’, mas, embora tivesse então apenas 31 anos, essa década se destacará por sua maturidade e desenvolvimento narrativo. ‘Contos Fluminenses’ (1870) e ‘Histórias da Meia-Noite’ (1873), lançados por aquela que viria a ser a sua principal editora, a Garnier, reúnem contos publicados anteriormente no ‘Jornal das Famílias. Ressurreição’ (1872), seu primeiro romance, é também uma obra convencional, embora já se detecte nele uma das principais características de Machado como romancista: a prospecção psicológica.
Após passar por uma grave crise de saúde entre outubro de 1878 e março de 1879, escreve ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ (1881), que trata das relações sociais no Brasil. Com esse romance, narrado pelo defunto Brás Cubas, Machado abandona a fórmula do realismo europeu e, com isso, o predomínio da racionalidade convencional. Nesse romance, ele inaugura a sua fase de maturidade que o eleva à altura dos grandes mestres do realismo do século XIX. É considerado o introdutor do estilo realista no Brasil.
Esses anos marcam também o início de sua inteligente percepção da história brasileira, que revela uma sociedade oposta àquela de uma pátria romântica, com referências à organização servil e familiar e aos desafios da abolição da escravatura e da proclamação da República.
Tão brilhantes como seus romances foram seus contos desta etapa, que fazem de Machado um mestre do gênero, talvez o primeiro grande contista latino-americano. ‘Papéis Avulsos’ (1882), que inclui ‘O Alienista’, ‘Histórias Sem Data’ (1884), ‘Várias Histórias’ (1896) e ‘Páginas Recolhidas’ (1899) são testemunhos disso.
Quase todas essas obras-primas da narrativa brasileira e universal foram escritas em meio à vida plácida e ordenada de funcionário público, e algumas após a sua aposentadoria compulsória, em 1897. Àquela altura, já era considerado havia algum tempo o melhor escritor brasileiro. Sua aclamação como presidente da ‘Academia Brasileira de Letras’, da qual foi membro fundador, constituiu um reconhecimento a mais, antes de sua morte, a 29 de setembro de 1908.















     A Arte fotográfica de ... Cristiano Mascaro* (1944).
















































































*: Arquiteto e fotógrafo brasileiro (São Paulo). Visite: http://www.cristianomascaro.com.br/















A Arte da gravadora, desenhista, ilustradora e

                                   professora brasileira Renina Katz Pedreira (1925).


                                                                          








   





 

      ● Um pouco de... Hector Julio Paride Bernabó. (Carybé).






































           ● A Arte... e a rua. 
                              A Arte de Seth Globepainter (1972). 

Meados da década de 1990. No ‘20º arrondissement’ (bairro) de Paris. 
Ali, situado a margem direita do rio Sena. 
Os moradores começaram a se surpreender com suas paredes sendo pintadas com as criações do jovem Julien Malland (Seth Glopainter é seu nome artístico). 
Graduado pela Escola Nacional de Artes Decorativas de Paris.
Logo se tornou conhecido pelo mundo com as suas pinturas urbanas.
Únicas. Inconfundíveis. 
Murais urbanos, na sua maioria, com crianças em cenários coloridos.
Personagens melancólicos. 
Vejam algumas selecionadas. 
























































Daena.


"Creio que, como viemos de uma mulher, 
e a mãe terra que nos acolhe, as figuras que lembram a morte
costumam ficar no espectro do feminino, pois são as mulheres
que guardam o mistério da fertilidade, portanto da vida
e do seu fim."
           
 


                       “ Não é Diana, é Daena mesmo, tira a mão daí, revisor. Diana é minha mulher, anseio encontrá-la. Quanto a Daena, não quero conhecê-la tão cedo. Não é falta de curiosidade, mas só posso vê-la em uma condição específica: no último minuto do meu derradeiro dia no planeta. Aliás, não só para mim, isso é o destino de todos. Cada um de nós possui e, ao mesmo tempo gesta, a Daena que o espera.

Já explico, essa entidade foi descrita nos antigos cânticos do zoroastrismo, antiga religião monoteísta que influenciou todas as outras. É uma mulher belíssima que, acompanhada de seus cães, nos conduzirá à nova morada no além. Antes que penses que Daena é a rainha das fadas que vem te buscar, saiba que existem condições: a que te foi dada é linda, mas só se manterá bela caso tua vida tenha sido uma obra de justiça e ponderação; se foi uma vida de trapaças, mentiras e violência, a tua será uma bruxa disforme, mais feia que a mulher do medonho.

Recebemos nossa Daena ao nascer e dela nada podemos esconder. Ela é como um duplo, uma testemunha muda, porém atenta, que vai sendo modelada pelos nossos atos. Não intervém na nossa vida, guarda-se toda para o terminal e apoteótica aparição.

 Podemos enfeá-la, torná-la bonita outra vez, mas sempre restarão as cicatrizes do que fizermos a ela. Daena é a história plástica da nossa vida moral. E é assim que seria explicado por que as mortes são ora suaves, ora agitadas, depende de como teria sido o encontro com ela. (...). 

Creio que, como viemos de uma mulher, e a mãe terra que nos acolhem, as figuras que lembram a morte costumam ficar no espectro do feminino, pois são as mulheres que guardam o mistério da fertilidade, portanto da vida e do seu fim.

Sempre acreditei que nosso medo da morte guarda mais mistérios que o mero horror ao desconhecido ou a angústia de deixar de existir. Daena vem associada a isso, mas vai além, encarna o pavor do encontro com nosso extrato moral, ao vermos quem realmente é e o que fizemos com a vida que ganhamos. (...). ”


          Por Mário Corso (psicólogo e psicanalista do Rio Grande do Sul).
















                                                                                      É ...





































                                             ● Imagens do Ler.


(Parung, Java Oeste. Indonésia. Foto: Tatan Syuflan).











A Arte fotográfica de ... Andreas Hemb*.


 (“Zimanga Private Games Reserve”, África do Sul).


*: fotografo sueco.