Uma bunda. Uma estória.

























                                                           Andando-se pelas vielas ‘internetianas’. É descoberta uma fotografia do sueco Roger Turesson (1956) postado no blog ‘El Hurgador’ (http://elhurgador.blogspot.com.br/). Interessante. Diferente. Salvar. 
Depois compartilhar com vocês que passam por este espaço virtual. 
Mas, ficou a dúvida. Porque a admiração da bela mulher pelo quadro?
A descoberta. 
A pintura exposta no Museu Nacional de Estocolmo (Suécia) era uma criação do pintor, desenhista e tapeceiro sueco Jacob Jordaens (1593-1678). Ele registra na tela de 1648 o momento em que Candaules o “Rei da Lídia” mostra a sua mulher ao Primeiro-Ministro Giges. A história das terras de Lídia é desconhecida. Perdeu-se no tempo. O pouco que conhecido vem através da mitologia grega. Certeza? 
Dizem. Era localizada na região oriental da atual Turquia.
Mas a estória continua. Inicia-se a procura ‘googliana’ para ver a imagem inteira do quadro de Jacob Jordaens
Eis que na perseguição aparece a postagem do quadro e logo a seguir um texto sobre a figura da tela: ‘Lucrécia e sua famosa bunda’.
O autor era o português Diogo Leote. Estava na página do blog: http://www.escreveretriste.com/ publicada em setembro de 2013. Faz tempo.  O autor português com a colaboração de Mario Vargas Llosa (in ‘Elogio da Madrasta’) nos inicia na descoberta sobre a estória da mulher do rei Candaules. A Lucrécia. E sua fabulosa bunda.

Eis, inicialmente, o texto do Llosa: 
“Digo e repito: garupa. Não traseiro, nem cú, nem nádegas, nem assento, mas sim garupa. Porque quando a cavalgo a sensação que me embarga é essa: a de estar sobre uma égua musculada e aveludada, puro nervo e docilidade. É uma garupa dura e talvez tão enorme como dizem as lendas que sobre ela correm pelo reino, inflamando a fantasia dos meus súbditos. (…) É dura ao tato e doce aos lábios; vasta ao abraço e cálida nas noites frias, uma almofada terna para repousar a cabeça e um manancial de prazeres na hora do assalto amoroso. Penetrá-la não é fácil; antes doloroso, a princípio, e até heroico pela resistência que essas carnes rosadas opõem ao ataque viril. Fazem falta uma vontade tenaz e uma verga profunda e perseverante, que não se arredam perante nada nem ninguém, como as minhas”.

Antes de ler o texto do Diogo cabe, antes, uma explicação. Aqui no Brasil bunda é o todo. Cú o especifico. Desculpe-nos o autor pela mudança da palavra no seu texto. No Brasil a tela exposta no museu. É da bunda da mulher do Rei. Leiam:




                                                         Pela imagem acima reproduzida, custa a acreditar que a volumosa bunda de Lucrécia tenha merecido a homenagem que Mário Vargas Llosa lhe rendeu nas páginas – carregadas do mais fino e culto erotismo que há memória – do seu depravadíssimo ‘Elogio da Madrasta’. 
No entanto, a julgar pelo sagaz olho erótico de Vargas Llosa, subiu tão alta a fama do traseiro da mulher de Candaules, rei da Lídia, que há quem jure já ter ouvido dizer a alguns historiadores que, num futuro mais ou menos distante, pouco mais sobrará da história desse pequeno país – cujo território se situava no coração do que é atualmente a Turquia – do que as lendas e fantasias que o mesmo alimentou entre os seus súbditos. 
Certo e sabido é que era grande o orgulho do rei Candaules na garupa de Lucrécia. A tal ponto que os feitos que a dita lhe inspiravam entre lençóis o faziam mais vaidoso do que as derrotas que infligia às tropas invasoras. 
E ai de quem não estivesse à altura da glória do traseiro de Lucrécia, a quem Candaules oferecia todos os caprichos, até a verga de Atlas, o mais bem dotado dos seus escravos, que, tendo a infelicidade (talvez porque intimidado pela presença do rei) de não conseguir montar a rainha, acabou sem cabeça.  Ao que dizem, para a fama da bunda de Lucrécia contribuiu também a ousadia de Giges, fiel ministro de Candaules que, numa noite de embriaguez partilhada com o rei, se atreveu a louvar o traseiro de uma sua escrava egípcia, qualificando-o (se Vargas Llosa não tiver exagerado na descrição) como o “mais bonito que a Providência jamais concedeu a uma mulher”.
Candaules, perante o desabafo do seu ministro, não resistiu a propor-lhe um irrecusável desafio: que se comparassem então as nádegas de uma e de outra. O rei pôde assim constatar, na verdade, quão notável era a bunda da escrava egípcia de Giges, considerando mesmo um milagre que um súbdito pudesse aceder a tamanho paraíso de carnes. 
Mas o que a História, a lenda ou a literatura nos contam é, claro está, que Lucrécia ficou a ganhar na comparação. “Vi-o e é tão extraordinário que não posso acreditar. Vi-o e ainda me parece que só sonhei”, disse Giges depois de introduzido nos aposentos privados da rainha, onde teve o privilégio de assistir à magnificência da célebre garupa e, mais do que isso, a uma das afamadas montarias do rei (tudo isto bem escondidinho, sem que a rainha soubesse, ou, se quiserem ter uma versão mais apimentada da coisa, fingindo que de nada sabia, tal foi a intensidade da noite de prazer).
Face aos antecedentes da decapitação de Atlas, Giges não hesitou em prometer ao rei, para todo o sempre, segredo sobre o que acabara de ver. 
Mas aqui entra a fronteira, sempre tão ténue, entre a História e a lenda, entre a realidade e a fantasia. Como terá chegado até aos nossos dias o relato do esplendor do traseiro de Lucrécia? Rei é rei. 
A um monarca não fica bem gabar-se aos súbditos das façanhas sexuais permitidas pela fabulosa bunda de sua mulher. Enterrado Atlas, resta Giges. Parece que o ministro não resistiu a contar o que viu. Sorte a dele. Viu uma bunda como não existia outro, deu com a língua nos dentes e ainda manteve a cabeça no lugar.

Cá entre nós. Portugueses, africanos e brasileiros. Não importa a beleza dela. Mas a bunda sempre é sempre motivo de conversa.







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