Brasil ... A Coisa Pública. E a Privada
















“ Entre a coisa pública e a privada achou-se a República assentada.

Uns queriam privar da coisa pública, outros queriam provar da privada, conquanto, é claro, que, na provação, a privada, publicamente, parecesse perfumada.

Dessa luta intestina entre a gula pública e a privada a República acabou desarranjada e já ninguém sabia quando era a empresa pública privada pública ou pública privada.

Assim ia a rês pública: avacalhada uma rês pública: charqueada.

Uma rês pública, publicamente corneada, que por mais que lhe batessem na cangalha mais vivia escangalhada.

Qual o jeito? Submetê-la a um jejum? Ou dar purgante à esganada que embora a prisão de ventre tinha a pança inflacionada?

O que fazer? Privatizar a privada onde estão todos publicamente assentados?

Ou publicar, de uma penada, que a coisa pública se deixar de ser privada pode ser recuperada?

- Sim, é preciso sanear, desinfetar a coisa pública, limpar a verba malversada, dar descarga na privada.

Enfim, acabar com a alquimia de empresas público-privadas que querem ver suas fezes em ouro alheio transformadas. ”


Texto (editado) do escritor brasileiro Affonso Romano de Sant'Anna (1937).

In: SANT'ANNA, Affonso Romano de. A poesia possível. Rio de Janeiro: Rocco, 1987. Poema integrante da série Aprendizagem de História.




























Nenhum comentário:

Postar um comentário