Salomé*.

(Paul Antoine de La Boulaye).


 “ Insônia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se pra mim num espasmo de segredo...

(Julio Romero de Torres).


Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro!... A minh'Alma parou...
E o seu corpo resvala a projetar estátuas...

(Pierre Bonnaud).

Ela chama-me em Iris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:


(Jean-Jacques Henner).

Mordoura-se a chorar - ha sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...


                                                  Mário de Sá-Carneiro** (1890-1916).


                                                                                                            (Mataro da Vergato). Computação gráfica.


*: Salomé (14 a.C -62/71 d.C.). Neta de Herodes.
No Novo Testamento é apontada como responsável 
pela execução de João Batista. 
**: Poeta, contista e ficcionista português.











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