A vida em 2050.

“Crescimento sem geração de emprego representa a
 nova ordem econômica.
Investir em capital e tecnologia é mais vantajoso 
do que investir em trabalho humano.”





O mundo está bem mais rico, mas também muito mais desigual. Parte dessa desigualdade tem, entre suas principais causas, a intensidade tecnológica, que vai crescendo, e os empregos acabando. Ao longo da História, as máquinas foram substituindo os humanos, mas os empregos foram se renovando, se reinventando, fazendo com que ocupações humanas extintas dessem lugar a novas profissões. 
Até pouco tempo atrás, podíamos dizer que as reposições conseguiram conviver ou até ultrapassar as eliminações no mercado de trabalho.
Mas agora está sendo bem diferente.
Depois das três revoluções industriais e todos os impactos deixados na economia, estamos entrando na quarta revolução e ela vem bem concentrada, não só na geração de riqueza, mas também nas inovações biológicas, tecnológicas, cognitivas e informáticas, como num destino convergente e exponencial capaz de eliminar 50% dos empregos até 2050. 
Crescimento sem geração de emprego representa a nova ordem econômica. Investir em capital e tecnologia é mais vantajoso do que investir em trabalho humano. Além de atividades físicas, agora também as atividades mentais começam a ser substituídas pela inteligência artificial. 
O que era antes ficção científica passou a ser essa realidade que nos assombra. Diante desse desemprego em massa iminente, o que realmente está sendo feito para que a humanidade possa se sustentar e sobreviver?
Que estratégias de longo prazo estão sendo encaminhadas para o futuro?
Os governos, as escolas e as empresas estão conscientes do que tudo isso vai representar para as novas gerações?
A impressão é a de que todos estão esperando acontecer aquilo que já sabemos e já está em curso: conhecimento sucateado, desemprego estrutural, trabalho informal crescente, demissões em massa e carteiras de trabalho amareladas. 
Fica difícil prever até onde vão chegar os avanços da inteligência artificial, da robótica, da impressão 3D/4D, da biologia sintética, dos drones, da nanotecnologia e suas poderosas sinergias. (...).

Que caminho vamos escolher?

A moral de todas essas histórias fica valendo desde já. Se não tivermos emprego, que tal pensarmos em trabalhar por prazer, aprender aquilo que nunca pensamos em aprender, revelar talentos ocultos, retomar relações perdidas, sermos mais felizes e nos reconectarmos com o trabalho de formas mais divertidas e significativas? 
As novas economias (criativa, colaborativa, compartilhada, circular) em expansão já representam caminhos abertos para começarmos a reorientar nossas rotas.
Se a máquina irá trabalhar, pensar por nós e através de nós, em vez de tentar enfrentar o inexorável, por que não investir naquilo que nos liberta do relógio?
Afinal de contas, vamos viver muito mais e o tempo será todo nosso.
Como ancestrais que já somos, na velocidade das mutações sociais e econômicas, podemos juntos dar as mãos e acelerar essa grande obra milenar: reinventar nossa vida na Terra e semear novos mundos para nossos filhos, netos, bisnetos e gerações futuras. 
As consequências de escolhas acertadas serão intensas e transformadoras para criar uma nova civilização. Estamos diante do maior desafio da história:
Provar que realmente somos inteligentes, muito além das máquinas.

(Por Rosa Alegri.  Master of Sciences. University of Houston, USA).








Nenhum comentário:

Postar um comentário