Antonio Callado (1917-1997)
Cem anos daquele semeou na literatura.
A identidade brasileira.

Este escritor, jornalista e dramaturgo nascido em Niterói (Rio de Janeiro) embora não tenha forte presença na memória cultural brasileira contemporânea.  É, entretanto, um daqueles que mais contribuiu para a construção da identidade nacional, na literatura. Suas criações literárias mostraram os habitantes oprimidos do país. Os negros, os sertanejos. Mas, especialmente, os indígenas. Falar nele. Imediatamente se fala em “Quarup”* (1967) romance simbólico da resistência à ditadura na década de 60. Impossível não lê-lo. Impossível não conhecer a vida do seu protagonista que começa padre e se transforma em guerrilheiro. A história transcorre desde a morte do presidente Getúlio Vargas (1954) até chegar ao golpe (1964). O jovem ingênuo, puro e idealista. Padre Nando. Vive e participa da realidade social e política do Brasil daqueles tumultuados anos. Tenta criar na região do Xingu (Amazonas) uma civilização semelhante a que existiu nas Missões jesuíticas na região sul do Brasil (Rio Grande do Sul) na época colonial.  O poeta maior Ferreira Gullar na capa da primeira edição dizia: “Isso é que é, na verdade, a Revolução Brasileira. E a gente acredita mais nela quando surge diante de nós um livro como ‘Quarup’, porque se vê nele que a revolução continua e se aprofunda que ela ganha carne, densidade, penetra fundo na alma dos homens”. Além de escritor. Durante quatro décadas trabalhou como jornalista. Privilegiado, teve nos lugares cruciais da história do século passado. A serviço da BBC estava em Londres sob bombardeio nazista (1941). ; Viveu em Paris ocupada pelos alemães. Cobriu a guerra do Vietnã. Estreou na literatura na década de cinquenta. Mas neste período sua produção artística teve mais vinculada a peças teatrais. Sempre encenadas com enorme sucesso (crítica e público). A mais bem sucedida foi “Pedro Mico” (1957). Incrível. A cenografia era de Oscar Niemeyer. Direção de Paulo Francis. Tem mais. Virou filme e foi estrelado por Pelé. O Brasil era feliz e não sabia.
Calado escrevia à mão. Como seria ele, hoje, com tanta tecnologia?
Não tome como conselho. Mas uma sugestão. Além de “Quarup “
Leia:

■ A Madona de Cedro (1957)
■ Bar Don Juan (1971)
■ Reflexos do baile (1976)
■ Sempreviva (1981)
■ A expedição Montaigne (1982)
■ Concerto carioca (1985)
■ Memórias de Aldenham House (1989)
■ O homem cordial e outras histórias (1993)

Antonio Callado um escritor brasileiro.


*: Ritual de homenagem aos mortos ilustres. Celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu. O rito é centrado na figura de Mawutzinin.O demiurgo e primeiro homem do mundo da sua mitologia. Em sua origem o “Quarup” teria sido um rito que objetiva trazer os mortos de novo à vida.









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