Saudades das coisas indizíveis.


     “  (...). Não me baseio em pesquisa. Falo de mim e da humanidade que está em mim. (...) 
Ah, que saudades de acordar, pular da cama e sair em meia hora depois de beber 
um café preto e beliscar uma ponta de pão francês. 
Que saudades da praia, da manhã ao por do sol, sem medo de mergulhar
 nas ondas e sem prestar atenção aos perigos. 
Que  saudades das braçadas rápidas na piscina em manhãs ensolaradas e 
dos namoros quando o sol se punha na praia (...). 
Saudades de tantas outras coisas indizíveis. 
A velhice chega sem a gente perceber. Chega em degraus e é implacável. 
Nem todos de uma geração chegam ao mesmo tempo, e alguns vão ficando pelo caminho. 
Digo tudo isso  com um pouco de raiva e de humilhação e ainda me contradigo. (...).  
Se hoje o meu corpo é o limite, na juventude, havia outros limites:
 a insegurança, o medo, a imaturidade.
E, porque não há caminho de volta,  a única outra opção é 
não estar aqui para ver mais um dia de sol. (...).


                                                          Texto de Yvonne Maggie (Antropóloga).










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