A literatura como analgésico



                            




               “ Não existe paraíso e conforto na literatura. Qualquer livro que cause qualquer uma dessas duas sensações não é literatura, é autoajuda. Pode até existir a sensação de identificação, mas jamais conforto. (...). É um grande engano imaginar a literatura como um alento, algo que cause a sensação do sândalo há perfumar nossos dias. Talvez o mesmo valha para o cinema e, quem sabe, até para o jornalismo já que o que realmente é buscado por leitores são tragédias, fracassos, separações e desgraças de todas as dimensões e espécies. (...). A literatura está sempre entre nós, pronta a retratar a perversidade, os devaneios, nos trazer desconforto e náusea. É preciso, como disse Cortázar, nocautear o leitor, levá-lo à lona. É impossível viver com uma literatura conformada e conformista, às claras. O que nos diria Robert Walser se viesse aos nossos dias e presenciasse a pobre literatura de youtubers que aflora nas livrarias ou a pobreza da literatura que nada tem a dizer?
(Jonatan Silva in http://www.aescotilha.com.br/)






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