Quanto tempo?


































   “ Matamos o tempo; o tempo nos enterra”  (Machado de Assis).




  (...) Quanto tempo?. 
Tal questão nos ronda, se preferes, leitor, assombra. 
Não são necessárias tendências filosóficas para que em alguma etapa da vida nos
perguntemos quanto tempo temos até... Até o quê? 
Quanto tempo até nos vermos de novo? 
Quanto tempo até nos vermos e nos ignorarmos? 
Quanto tempo até nos encontrarmos e sequer nos reconhecermos? 
Perguntas como essas refletem a mais fundamental essência humana, a capacidade de reconhecer a passagem do tempo. Nós, seres humanos, compartilhamos da habilidade única, e por vezes assustadora, de percebemos nossa própria finitude, intrínseca ao Ser.
Eu, escritor; você, leitor, compartilhamos, apesar de todas as diferenças que desconheço, mas sei que por certo temos uma única ideia inerente a nossa alma: a ciência da morte. Repudio qualquer uso de eufemismos nesse caso, tratar a morte como algo a ser evitado é nocivo a nossa natureza, pois exclui a reflexão maior utilizada para definirmos o que é vida: 
‘’O que eu estou fazendo com o meu tempo?’’. 
A resposta para essa pergunta demonstra o que consideramos importante e qual é a função da nossa existência, dessa forma explicando o sentido de nossas vidas. Há de se reiterar, leitor, que o ‘’sentido da vida’’ não é algo que se acha embaixo de uma pedra, enquanto fazemos uma caminhada relaxante. É, na verdade, algo construído. Todas as pessoas que conhecemos situações por qual passamos, amigos e amores que conquistamos (e que deixamos ir), são ou foram os tijolos que compõe o muro de nossa existência, e por isso, e me refiro a mim e a você, caro leitor, sejamos gratos.
Mas, afinal, quanto tempo temos para construir nossas vidas? 
A conclusão a que cheguei é de que nós não temos tempo. 
Explico, e cabe ao leitor decidir pelo seu convencimento. 
O ser humano é dotado, dentre todas as características, de insatisfação. Não importa o quão bem estamos sempre desejamos mais. O homem prefere querer o nada a nada querer. A ambição é ilimitada, mas as areias do tempo escorrem a cada segundo. Nesse caso, nem todo o tempo do universo bastaria para que chegássemos onde queremos chegar. A humanidade tende ao egocentrismo, alguns diriam à megalomania.
Sobre a modernidade, Marx afirmou: ‘’Tudo que é sólido desmancha no ar.’’ Este mundo em que pisamos é produto da poeira do que já antes fora mundo. As ideologias que antes eram toleradas e tidas como justas, agora horrorizam. Constatando as marcas de nossa era, a incerteza e a fugacidade, esta ideia ecoou até a atualidade, virando o século com força total e vindo de encontro a minha pergunta inicial, completando-a com a faceta da efemeridade, além de definirmos o que fazer com nosso tempo, devemos fazer isso sabendo que nossos feitos se desmancharão no ar. 
Termino, então, com uma indagação a qual não tenho resposta, e ao leitor incubo de responder: 
De quanto em quanto tempo devemos sacudir a poeira do tempo?  

                por Guilherme Stabile postado em http://obviousmag.org/


● Fonte da imagem: http://www.psd-dude.com/









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