Envelhecer. O medo.    


                    “  (...)  Sabe-se que, tanto a finitude, quanto a velhice são características fundamentais da humanidade, pois, ainda que se nasça pronto para esta condição, na medida em que os anos avançam, a velhice anuncia o que até então pareceu ser evitado: a morte. 
A ideia é viver dia-a-dia fugindo da iminência do fim, no entanto, quando os anos se aproximam, as visitas médicas se tornam mais frequente e os filhos tem filhos que já caminham para terem outros filhos, sabe-se que o limite entre o viver e o morrer se aproxima. 
As tentativas de nos distanciarmos do que é fato fala do nosso medo e do nosso não controle sobre a vida. Falamos com cuidado do que é raso porque ainda não sabemos lidar com o que há de mais profundo. E, não fosse o bastante ter que lidar com a angústia do fim, ainda temos que lidar com a bagagem que a velhice evoca: as quedas, as fraquezas, as rugas, as dores, os cabelos brancos.
 É o medo do adoecer sozinho, é o medo de morrer só. É o medo de deixar de ser quem foi. O medo de ser tratado como criança, medo de não reconhecer seus parentes, medo de perder a autonomia, a força, a libido, a fé, a beleza. 
Envelhecer é temer, pois se sabe que o que vem com o envelhecimento não está sob nosso controle. No entanto, é necessário e fundamental, reconhecer que há nesse processo um ganho único e inviolável (...) durante sua existência. 
Por isso, mesmo entre tantas angústias - desde a incômoda ruga, até a certeza da morte - é importante pensarmos que há beleza em tudo! Desde o nascimento até o caminho que conduz ao fim (...).  ”

(por Luana Peres in © obvious).








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