Ele. E o filosofo.










“ (...). Deus continuou implacável, e agora parecia uma poetisa inglesa:
- Quando criei homem, à minha imagem e semelhança, num surto narcísico, tive por bem dotá-lo com muita imaginação, muito desejo. Tive as melhores intenções, destas que o inferno está cheio. Porém, achei que aquele bípede arrogante tinha de ter algum limite! Pelo menos ser mortal. Achei que isso colocaria nele uma urgência criativa, sei lá. Errei. Justiça seja feita. Esta é a condição humana! Eles fazem tudo para escapar dessa camisa de força em que lhes meti.  Uns fazem arte, outros viram santos, outros matam em série! (...).
- Eles nascem sem terem pedido, vivem uma vida inteira reclamando sem entender nada de nada, e morrem querendo viver muito mais! E a maioria simplesmente vive aquém das suas possibilidades. ”

                          (Domingos Oliveira)*


*: “Vida Minha. Autobiografia”. RJ, Record, 2014. Pág. 330.

● Imagem: “A metamorfose de Narciso” (Salvador Dalí)










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