A falácia do progresso.




“A única escola que de fato ensina
é a da experiência, de modo que
vale a pena pagar caro para estudar nela”.


(...). Para a criança, não existe nada além do presente.
O passado e o futuro são duas coisas de que ela ouve falar, mas não experimentou ainda.  Só experimentamos, pra valer, o passado, quando temos várias camadas sucessivas de passado pessoal para comparar umas com as outras.  Só experimentamos, pra valer, o futuro, quando o vemos se transformar em presente e depois em passado. E não é em termos de “a semana que vem”, mas de fases inteiras da vida.
Isso me vem à lembrança quando vejo as pessoas dizendo aos jovens o quanto eles deviam agradecer ao Destino por terem nascido numa época tão cheia de vantagens, principalmente tecnológicas.
“Ah, hoje em dia tem celular! Antigamente a gente tinha que procurar um orelhão...”
Os jovens encolhem os ombros: e daí, que alguém precisava procurar um orelhão? 
Isso não muda em nada o seu cotidiano, a única “vida real” que conhecem, na qual o celular existe e resolve tudo que puder resolver. 
Celular, email, banco eletrônico, Ctrl+C e Ctrl+V, torrent, streaming, etc.
O jovem só conhece o presente, só conhece a vida que enfrenta de fato.
Os problemas que enfrenta são reais para ele, e não adianta pedir que ele comparasse esses problemas com os de meio século atrás, ou com os das populações pobres do mundo.  Não conheço muita gente que, pensando na fome da África, esqueça que não come há três dias. 
Talvez a única maneira de passar para o jovem essa diferença é fazer com que ele compare duas experiências suas, vinte, duzentas experiências suas, em diferentes circunstâncias. (...).
(por Bráulio Tavares).

  
● Fonte: http://www.cartafundamental.com.br/single/show/382 (março, 2015).
● Imagem: http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=250400










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