Arte...

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“  O mais pobre dos mendigos entoa sua canção na calada noite.
O mais feroz dos bandidos dança seu tango.
Todas as pessoas veem as novelas por causa da pílula de arte que há nelas.
Multidões acorrem nos fins de semana aos cinemas, aos teatros.
As novas publicações nas livrarias são extraordinariamente frequentes, fazendo-nos perguntar: “Quem afinal lê aquilo tudo?”
A arte é uma fome.
O melhor antidepressivo, portanto importantíssima na prevenção do enlouquecimento geral.
A arte é uma atividade de utilidade publica.
A arte torna as atividades culturais importantes.
A finalidade da arte é ensinar os homens a viver melhor.
A arte engradece as almas, tornando-as dignas.
É amiga da utopia, possibilitador dos grandes ideais.
A arte leva em consideração o mistério que nos cerca.
Creio pessoalmente que a arte é o mais importante trabalhos do ser humano na Terra.
Mais do que a ciência ou mesmo a filosofia.
A arte é a professora.
Se vejo num canteiro um girassol amarelo, penso que aquilo é uma flor estranha,  exagerada, que não entendo bem, não sei bem o que é. Mas se vejo o girassol do Van Gogh pintou, ai eu sei o que é um girassol.
A arte é o retrato de um país. Infeliz de um país que não faz sua arte.
A arte não pode ser confundida com a cultura, porque tudo é cultura.
E nem tudo é arte.
Pode-se até dizer que a cultura, apesar de sua larga importância, refere-se ao passado.
A arte, como observou Heidegger é o arauto do futuro.
A arte continua o milagre. Coloca no mundo coisas que antes não estavam lá!
A arte é a mãe da ética, da moral, da cidadania, do patriotismo, do amor, da beleza, da honestidade.  Enfim, de tudo que construiu, a despeito das forças destruidoras, a civilização.
Se um amigo seu quer morrer, morrer mesmo de não ter jeito, toque para ele uma musica de Mozart, ou mostre um quadro de Renoir, um bom filme ou até mesmo simplesmente conte-lhe uma sólida história humana. Se seu amigo não ficar alegre, desista. Ela já esta morto.
A arte, guardiã da consciência, melhora o caráter dos homens e salda da barbárie a sociedade.
Todos os problemas são culturais.

                      (Domingos de Oliveira. In “Vida Minha”. Editora Record, 2014, RJ, pág. 318-319).














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