Carta de baralho...


                                             “ a hereditariedade e o meio que nos alimenta, assim como a nossa classe  social, são como cartas de baralho que nos são distribuídas aleatoriamente, antes do jogo começar. Até ai não há nenhuma liberdade de escolha – o mundo  dá, e você apenas recebe o que lhe foi dado, sem nenhuma outra opção . Entretanto, a grande pergunta é o que cada um de nós consegue fazer com as cartas recebidas. Pois há os que jogam muito bem com as cartas boas, e há pelo contrário, aqueles que desperdiçam e perdem tudo, mesmo com as cartas excepcionais! E esta é toda a nossa liberdade: a liberdade de jogar com as cartas que nos foram dadas. Mas mesmo a liberdade de escolher o nosso jogo, depende, por ironia, da sorte de cada um, da paciência, da sabedoria, da intuição, do arrojo.
Mas essas também não são cartas que nos foram ou não nos foram dadas antes de o jogo começar, e sem nos perguntarem nada? 
E então, se for assim, o que é que sobra afinal, para o nosso livre-arbítrio? ”

                 (Amóz Oz)


In ‘De amor e trevas’. (Cia das Letras, 2002, pág. 196).









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