Um livro...


“ Ler (ou reler) um livro velho implica o amadurecimento do leitor:
que este seja capaz de espanar a poeira, atravessar a zona do anacrônico
 e penetrar em novas regiões.
 Sem muito se preocupar com a verossimilhança dos lances impossíveis de heroísmo,
ou com o adocicado dos discursos de amor e de salão,
 é possível ao “bom leitor” atingir esse outro lugar que permanece na área de fruição
 e de prazer.
Ler uma obra assim é – em certa medida – ultrapassá-la e comprendê-la.
A ultrapassagem é distanciamento, é a repetição de o próprio decorrer do tempo
 e a possibilidade de enxergar  obra na perspectiva adequada:
à distância, as manchas confusas de um quadro se configuram com coerência,
 e compreendemos por que está ali aquele vermelho que parecia exagerado,
aquele tom amarelo que julgamos enfático. ”


                                                                     João Luiz Lafetá*


*: (in “Senhora”. José de Alencar. Série Bom Livro,38ª edição, 1998. Págs. 3-4).
●Imagem: ‘Le livres jaunes’. Van Gogh.








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