Mulher gostosa...



                                                     “ O desejo humano é inatingível, inexplicável e (tristemente) insaciável. Passamos a maior parte de nossos anos criando dentro de nossas ricas e fantasiosas mentes as mais mágicas – e as vezes - absurdas histórias. Inventamos personagens para nossa insuportável realidade. Tudo novo e de acordo com os as asas de nossa fantasia: nome, idade, profissão e aparência. A mulher, por conta de um traço marcado por nossa sociedade, invariavelmente acaba sofrendo mais com as influências deste modelo, principalmente no que diz respeito ao ideal estético. Dificilmente encontraremos uma delas que esteja integralmente satisfeita com seu corpo. Obviamente, tal comportamento sempre foi reforçado devido à importância que nossa sociedade machista, ao longo dos anos, deu para a “mulher objeto” – aquela que está no mundo apenas para ser “agradável aos olhos”. Tal marca criou um peso descomunal para a mulher carregar, pois, enquanto humanos, já temos grande dificuldade em lidar com o paradoxo “realidade x ideal de realidade”... Realmente, não é fácil ser mulher aqui na terra. Ter que lidar com a pressão de sempre ser mais bonita do que a vizinha do apê ao lado, ou parecer mais jovem do que a estagiária de vinte e poucos anos que acompanha o marido o dia inteiro no escritório não é uma das melhores sensações do mundo, não acha? Para atingir tal ideal, a mulher contemporânea topa fazer sacrifícios que, quase sempre, lhe recompensarão apenas em longo prazo: idas e vindas ao esteticista, sessões de drenagem e exercícios militares em academias lotadas. Tudo isso para alcançar o precioso e santificado elixir da beleza eterna.
Isto, sem dúvida, também causa danos e mudanças comportamentais que já fazem parte do cotidiano de muitas mulheres obcecadas pelo corpo perfeito. Conheço algumas “ratas de academia”. Posso dizer: elas são chatas! Sim, chatas! Vivem de mau humor, pois precisam passar o dia se policiando e tomando cuidado para não caírem na tentação dos maravilhosos docinhos, salgadinhos e dias ociosos sem malhação. Bom, isso sem falar nas que consomem uma “carguinha” extra de hormônio masculino... Ah, como são CHATAS! (Eis a prova biológica de que homens são mais chatos que mulheres. Tsc, tsc!). Agora, comparemos com a mulher que está de bem com seu corpo. Uma balzaquiana bem resolvida, por exemplo! Como pode exalar tanta feminilidade!? Como é lindo ver uma deliciosa “trintona”- ou “quarentona” (Por que não “cinquentona”?) - em paz com suas ruguinhas e pneuzinhos que sobram!!! Ela esta bem, pois vê beleza em suas coxas milimetricamente delineadas pela mãe natureza (leia-se: subir escadas com filhos, sacolas de compras e os sapatos de salto que acaba de tirar para evitar os calos) e pelos docinhos que às vezes come, e não com sessões desumanas de agachamento, orientadas por um sósia latino do Stallone. Como é lindo ver que nos seus braços não saltam músculos parecidos com os do Bruce Lee! Como é lindo o seu bumbum, sendo ele grande ou pequeno! Sim. Para mim – e para alguns sábios homens - isso é ser gostosa. Dificilmente o padrão de beleza mudará. Nossa época é a da aparência e tal característica só vem aumentando como apelo midiático que obriga a mulher do século XXI a ser sempre magra e jovem, entretanto não poderia deixar de dar aqui o meu grito solitário: Gosto mesmo é de mulher gostosa – e de verdade! Sorte ter a minha em casa.

                                                                                   (Tiago Pontes)

 
 











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