Ler. Porque? … Ler.















O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque se sabe mortal.
Ele vive em grupo porque é gregário, mas lê porque se sabe só.
Esta leitura é para ele uma companhia que não ocupa o lugar de qualquer outra, mas nenhuma outra companhia saberia substituir.

Ela não lhe oferece qualquer explicação definitiva sobre o seu destino, mas tece uma trama cerrada de conivências entre a vida e ele.

Ínfimas e secretas conivências que falam da paradoxal felicidade de viver, enquanto elas mesmas deixam claro o trágico absurdo da vida.

De tal forma que nossas razões para ler são tão estranhas quanto nossas razões para viver.
E a ninguém é dado o poder para pedir contas dessa intimidade.

(Daniel Pennac in "Como um Romance ").
 

Imagem: “ Duas meninas lendo”. Pablo Picasso.
 
 
 
 
 
 

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