A nudez feminina.
Pelos olhos de uma mulher.




















O texto foi produzido por Rafaela Werdan e publicado no sitio Obvious (http://lounge.obviousmag.org/ - 12 set 2013). São observações sobre as obras da fotógrafa, desenhista e matemática alemã Geraldine GestiefelteKatze. Pode-se não concordar com algumas de suas observações no texto  Que importa? Importa admirar algumas das obras da Geraldine.
 
 
"Há na sensualidade uma espécie de alegria cósmica",
já dizia o poeta, e ao olharmos essas fotos e
associarmos a representação do que seja
o feminino em nosso mundo essa afirmação
torna-se inquietantemente real.”

 
 
Após anos enxergando a nudez feminina mostrada a maior parte do tempo pelos olhos dos homens em fotos, pinturas e alguns outros tipos de artes visuais, confesso que não havia me identificado muito com as imagens feitas, por terem sido geralmente compostas por uma nudez direta, onde a maioria das vezes a mulher está olhando para a câmera se oferecendo com o intuito final de uma relação sexual iminente. Sendo assim, o feminino de alguma forma posava para o masculino, tinha o intuito de enviar uma mensagem nada subliminar do que estava fazendo com sua nudez. O feminino não era livre em sua representação, o que não é de todo mal, pois essa arte também tem seu valor. Mas, há pouco tempo conheci o trabalho de Geraldine GestiefelteKatze, uma fotógrafa, desenhista e matemática alemã que me tocou bastante. Ela faz fotos sensuais de modelos de diversas partes do globo além de criar temas fantasiosos sendo alimentados por cenários naturais incríveis e também por pinturas corporais que ela mesmo faz nas modelos. A sensibilidade dessa fotógrafa transformou o corpo feminino em uma obra de arte aberta e de infinita beleza aos olhos humanos. A maneira como á fotografa retrata os gestos femininos pra mim são bem óbvios, pois eu os faço no dia a dia, afinal, sou uma mulher, mas, essas ações não são óbvias em editorias de revistas de moda ou nus. Percebo que ela não inventou posições, apenas deixou as mulheres do ensaio livres movendo seus corpos como eles gostam de se mover no dia a dia, isso inclui um caminhar sobre o sol, ou um deitar na grama ao final da tarde simplesmente para sentir o cheiro da grama, tocar uma flor, tocar-se. As mãos das modelos comportam-se com total liberdade, e livres, tocam suas cinturas, rostos e seios para que o visualizador que estiver passando seus olhos sobre seus corpos possam sentir o que elas sentem a maior parte do tempo. Não há um oferecimento direto nas imagens, percebo que as modelos se mostram puramente como são. Ser um corpo feminino não é tarefa fácil nesse planeta, mas isso não quer dizer que não seja prazeroso. A mulher detém o paladar extremamente aguçado, enxerga uma infinidade de cores, tem a pele ultra-sensível em consequência disso seu cérebro faz milhares de conexões o tempo todo sem parar. A mulher chora. A mulher precisa de tudo isso para ser mãe, e ela vira mãe, renova a vida desde seu nascimento. Dá prazer aos homens que a protege da natureza imbatível. Dá amor aos homens para que eles as protejam deles mesmos. Dá sentido as suas conversas de bar, as suas batalhas, a sua inteligência a sua evolução.
Mas em contrapartida, a mulher é símbolo daquilo que a humanidade “não poderia ver”. È muita beleza, muitos sentidos, muita liberdade para caber na mão de um idealista só, sendo assim, durante milênios, os que queriam poder mais do que queriam as mulheres as transformaram em seres perigosos para seus interesses pessoais, e seus corpos por muito tempo deixaram de ser seus- e deles também no final das contas. Ainda hoje, a maioria das mulheres em muitos momentos do dia enquanto caminham pelas ruas tem a sensação de que seu corpo é público e que deve protege-lo daqueles que ela deveria querer mostrar.
A verdade é que, no final das contas, a sensualidade não deixa de ser a nudez que tem vergonha de ser livre por medo de não conseguir ser enxergada exatamente como é, sem tabus, da forma pura que é. O corpo é puro. O sexo é mais puro ainda. Olhar o nu é a alegria do cosmos sobre a criação.





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 

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