Virgindade
 
 
Amo o que não conheço,
desconheço o que amo.
não há amor que me resista,
nem infância que se esbata no moreno da minha pele.
 
Conheço o que amo,
amo o que desconheço,
não há calor que me abrase,
nem companhia que me incendeie o olhar amargo.
 
Desconheço o amor,
amo o que conheço,
não há flor singela que me fira a virgindade,
nem violência alheia devota contra mim.
 
Conheço o que desconheço,
amo o que não amo,
não há cor nos meus olhos,
nem bálsamo que cure minhas feridas virgens.
 
Haverá quem me ama e eu não ame
e quem eu quero amar e não me ame?
 
                                        (Jomar Sipe*)
 
 
 
*: Poeta e pintor português nascido do Porto (1974).
■ Fonte do texto: http://www.luso-poemas.net/
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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