Porque eu escrevo?
 
               (por Alex Castro)
 
 
 
 

  Porque sim.
Porque a literatura é política. Porque o viver é político. Porque o não - ceder é político.
Porque o machismo & a homofobia, o racismo & o elitismo ainda definem nossa cultura & nossa sociedade, nossa língua & nossa sexualidade, e precisam ser combatidos todo dia, sempre, sem trégua.
Porque escrever serve para mudar o mundo. Chacoalhar as mentes. Arregaçar os olhos. Destruir os preconceitos. Estimular a empatia.
Porque não vale a pena escrever o que já foi escrito, dizer o que já foi dito, pensar o que já foi pensado.
Porque as pessoas que nadam contra a corrente, que foram censuradas & silenciadas, oprimidas & esquecidas, precisam saber que não estão sozinhas.
Porque as pessoas que mandam, que querem nos convencer que a sua maneira é a única maneira, que não há outro jeito de viver exceto o delas, precisam saber que sua opinião não é unânime, que nem todo mundo acreditou, que alguém fincou o pé.
Porque as pessoas que obedeceram todas as regras que lhes impuseram & trilharam todos os caminhos que lhes mandaram que hoje se sentem tristes & frustradas, precisam saber que havia escolha, que sempre houve escolha, que ainda há escolha, que podem escolher uma nova vida, um novo caminho, que dá tempo.
Porque todas as forças do mundo & da sociedade, dos pais & do trabalho nos impelem a conformar & aceitar, a obedecer & respeitar.
Porque ser as pessoas que queremos ser é o maior desafio das nossas vidas, uma luta surda & diária, interna & implacável, contra nossas mesquinharias e egoísmos, nossas fraquezas e vaidades.
Porque basta uma distração para pisarmos em uma armadilha, para sermos tragados pela correnteza, para acabarmos em outra vida, percorrendo outro caminho.
Porque ser quem queremos ser é a mínima obrigação que devemos a nós mesmos.
Porque se não somos quem queremos ser, então não somos nada.
E é por isso que eu escrevo.
Motivos. Isso e o dinheiro.

Fonte: (http://papodehomem.com.br/por-que-escrevo/ - 25/12/2013).
 
 
 
 
 
 
 

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