Expressões.
Ditos Populares.
Suas origens.
 
 
 
 
 
“Casa da Mãe Joana”:
    Brasil Império. Durante a menoridade de Dom Pedro II. As altas autoridades costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro cuja proprietária se chamava ‘Joana’. Como, fora dali, esses homens mandavam e desmandavam no país. A expressão ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.
 
“De meia tigela”:
    Na linguagem popular, é coisa de pouco valor. Ou pessoas irrelevantes no seu meio social. A origem da expressão nos leva aos tempos da monarquia portuguesa. Nela, as pessoas que prestavam serviço à Corte (camareiros, pajens, criados em geral) obedeciam a uma hierarquia. Alimentavam-se no local de trabalho. Recebiam quantidade de comida proporcional à importância do serviço prestado. Assim, alguns comiam em tigela inteira. Outros em meia-tigela,
 
“Calcanhar de Aquiles”:
    Vem da mitologia. A mãe de Aquiles, Tétis, com o objetivo de tornar seu filho invulnerável, mergulhou-o, ainda bebê, num lago mágico, segurando o filho pelos calcanhares, que tendo ficado fora da água, foi a única parte de seu corpo a não se beneficiar com a magia. Páris feriu Aquiles, na Guerra de Tróia, justamente nesse calcanhar, matando-o. Portanto, o ponto fraco ou vulnerável de um indivíduo, por metáfora, é o “calcanhar de Aquiles”.
 
“Chá de Cadeira”:
   Tem a ver com atraso. Com muito atraso. Historicamente, os nobres e fidalgos consideravam-se superiores às outras pessoas. Quando seus súditos queriam alguma audiência, eles eram acomodados em cadeiras e esperavam muito até serem atendidos, pois seus senhores atrasavam bastante para salientar o privilégio de poder fazê-lo. Os empregados, então, serviam chá para essas pessoas, que “mofavam” nas salas de espera, como uma forma de amenizar os longos atrasos. Daí surgiu essa expressão.
 
“Chato de galocha”:
    Significa pessoas muito chatas, resistente e insistente. A galocha era um tipo de calçado de borracha colocado por cima dos sapatos para reforçá-los e protegê-los da chuva e da lama. Por isso, há uma hipótese de que a expressão tenha vindo da habilidade de reforçar o calçado. Ou seja, o chato de galocha seria um chato resistente e insistente.
 
“Chegar de mãos abanando”:
    Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao trabalho árduo da terra virgem. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada. Ele chegou de mãos abanando ao aniversário, significa que não trouxe presente para o aniversariante, que terá de se satisfazer apenas com a presença do amigo.
 
“Colocar no prego”:
    A origem dessa expressão vem do fato de que nas antigas casas comerciais (tabernas, empórios, farmácias) existia um prego onde o comerciante espetava as contas de quem pedia para pagar depois. Quando o freguês retornava para quitar a dívida, o dono tirava os papéis do prego, somava os valores e cobrava. Colocar no prego é comprar fiado, pagar depois.
 
“Dar com burros n’água”:
    A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul/Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde alguns dos burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.
 
“De cabo a rabo”:
    Conhecer algo do começo ao fim. Durante o período das grandes navegações portuguesas, era comum se dizer total conhecedor de algo, quando se conhecia este algo de "cabo a rabah", ou seja, como de fato conhecer todo o continente africano, da Cidade do Cabo ao Sul, até a cidade de Rabah no Marrocos (rota de circulação total da África com destino às Índias).
 
“Conto do Vigário”:
    Duas igrejas de Ouro Preto receberam como presente, uma única imagem de determinada santa, e, para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários apelaram à decisão de um burrico. Colocaram-no entre as duas paróquias. Esperaram o animalzinho caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E o burrico caminhou direto para uma delas. Mais tarde, descobriram. Um dos vigários havia treinado o burrico. O conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.
 
 
► Editado do texto original publicado em: https://www.facebook.com/pages/Eu-amo-leitura/
Imagem: Ana Maria Dias
 










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